← Voltar para o blogMenopausa

Menopausa e ganho de peso: o que realmente acontece com o corpo e o que fazer

Dra. Carla Schramm24 de julho de 202610 min de leitura

Muitas mulheres chegam ao consultório com a mesma queixa: "Não mudei nada na alimentação, não mudei o treino — e mesmo assim engordei. O que está acontecendo?"

A resposta está nos hormônios. A menopausa provoca mudanças metabólicas profundas que afetam diretamente a composição corporal — e entender o mecanismo é o primeiro passo para agir de forma eficaz.

Neste artigo, explico o que realmente acontece com o corpo na menopausa, por que o ganho de peso é tão comum nessa fase e o que pode ser feito com base em evidências.

O que muda no metabolismo após a menopausa?

A queda do estrogênio após a menopausa desencadeia uma série de alterações metabólicas que tornam o ganho de peso mais fácil e a perda mais difícil — mesmo sem mudança nos hábitos.

As principais mudanças são:

  • Redução do metabolismo basal: O estrogênio tem papel regulatório no metabolismo energético. Com sua queda, o corpo passa a gastar menos calorias em repouso — o que significa que a mesma alimentação de antes pode resultar em acúmulo de gordura.
  • Perda de massa muscular: A sarcopenia — perda muscular relacionada à idade — se acelera após a menopausa. Músculos são metabolicamente ativos: quanto menos massa muscular, menor o gasto calórico diário.
  • Resistência à insulina: A queda do estrogênio piora a sensibilidade à insulina, favorecendo o acúmulo de gordura — especialmente na região abdominal.
  • Alteração nos hormônios do apetite: Leptina e grelina — hormônios que regulam fome e saciedade — também são influenciados pelo estrogênio. Com a queda hormonal, o controle do apetite pode ficar menos eficiente.

Por que a gordura vai para a barriga?

Antes da menopausa, o estrogênio favorece o depósito de gordura na região glúteo-femoral — quadril e coxas. Após a menopausa, sem esse direcionamento hormonal, a gordura migra para a região visceral — abdominal.

Essa mudança vai além da estética. A gordura visceral é metabolicamente ativa e está diretamente associada a maior risco cardiovascular, resistência à insulina e inflamação crônica.

Mulheres que nunca tiveram problema com gordura abdominal frequentemente notam essa mudança na menopausa — e se surpreendem com a rapidez com que acontece.

Quanto peso é esperado ganhar?

Estudos mostram que mulheres ganham em média 0,5 a 1 kg por ano durante a transição menopausal — independentemente de mudanças no estilo de vida. Não é muito em termos absolutos, mas a redistribuição da gordura para a região abdominal é o que torna esse ganho clinicamente relevante.

É importante distinguir: o ganho de peso na menopausa não é inevitável nem irreversível. Mas exige uma abordagem diferente da que funcionava antes.

O que realmente ajuda?

Treino de força — a intervenção mais importante

O treino de força é a intervenção mais eficaz para combater o ganho de peso na menopausa — e a mais subestimada.

Preservar e construir massa muscular aumenta o metabolismo basal, melhora a sensibilidade à insulina e favorece a composição corporal de forma sustentável. A recomendação é de pelo menos 2 a 3 sessões por semana, com progressão de carga.

Musculação, pilates com resistência, crossfit adaptado e treinamento funcional com carga são todas opções válidas. O importante é o estímulo de força — não apenas o volume.

Exercício aeróbico — aliado importante mas insuficiente sozinho

O exercício aeróbico — caminhada, corrida, ciclismo, natação — tem benefícios cardiovasculares e metabólicos importantes. Mas sozinho, sem o treino de força, tem impacto limitado no ganho de peso da menopausa.

A combinação de força e aeróbico é a mais eficaz.

Alimentação com foco em proteína e controle glicêmico

Com a piora da sensibilidade à insulina, alimentos de alto índice glicêmico — açúcar, farinhas refinadas, ultraprocessados — têm impacto maior no acúmulo de gordura abdominal do que antes da menopausa.

Aumentar a ingestão de proteína ajuda a preservar massa muscular e aumenta a saciedade. A recomendação geral para mulheres ativas na menopausa é de 1,2 a 1,6g de proteína por quilo de peso corporal por dia.

Isso não significa dieta restritiva — significa qualidade nutricional e composição adequada de macronutrientes.

Sono e manejo do estresse

Sono ruim e estresse crônico elevam o cortisol — hormônio que favorece o acúmulo de gordura abdominal e aumenta o apetite, especialmente por alimentos calóricos.

Na menopausa, onde o sono já é frequentemente comprometido pelos fogachos e pela oscilação hormonal, cuidar do sono é parte do manejo do peso — não um detalhe secundário.

Terapia hormonal — quando indicada

A terapia hormonal da menopausa não é um emagrecedor — mas pode ajudar indiretamente. Ao reduzir os fogachos, melhorar o sono e preservar a massa muscular, a THM cria condições mais favoráveis para manter um peso saudável.

Estudos mostram que mulheres em uso de THM tendem a ganhar menos gordura visceral do que as que não usam, quando comparadas em condições semelhantes de estilo de vida.

A decisão sobre THM é sempre individualizada — conversada entre médica e paciente considerando sintomas, histórico e fatores de risco.

O que não funciona — e pode piorar

Dietas muito restritivas são um erro comum nessa fase. Restrição calórica severa acelera a perda de massa muscular — exatamente o contrário do que se precisa. O resultado é um metabolismo ainda mais lento e um ciclo difícil de reverter.

Focar apenas na balança também é um equívoco. Na menopausa, a composição corporal importa mais do que o peso — é possível ganhar músculo e perder gordura com pouca mudança na balança, mas com grande melhora metabólica e na saúde.

Quando buscar avaliação médica?

Se você está na menopausa, notou mudança na composição corporal e não está conseguindo resultados com mudanças de estilo de vida, uma avaliação médica completa é o próximo passo.

É importante investigar resistência à insulina, função tireoidiana, perfil hormonal e composição corporal por bioimpedância — antes de concluir que "é só a idade" ou intensificar restrições alimentares.

Cada caso é diferente. E o tratamento mais eficaz é sempre o que leva em conta a sua história, o seu corpo e o seu momento de vida.

Aviso médico: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.

Quer cuidar da sua saúde com atenção real?

Atendimento particular em Pinhais/PR e teleconsulta.

Outros artigos